olhos de serpente

Outubro 30, 2009

Há dois filmes maravilhosos dentro de Olhos de serpente, de Abel Ferrara, e eles não apenas coexistem de maneira harmoniosa como ainda por cima se completam.

O primeiro deles é um visceral metafilme que impressiona também pelo fato de parecer um compêndio das aspirações cinematográficas de seu diretor, especialmente pela íntima e conflituosa relação entre vício e religião.

O segundo, por sua vez, fala sobre até que ponto uma pessoa pode ser consumida, física e mentalmente, pelo processo de criação artístico. (desafio: tente não pensar em Heath Ledger)

O mais perturbador, no entanto, é quando percebemos o elo com a mente do criador — seria Keitel o avatar do próprio Ferrara? Não sei, mas assusta a maneira como ele insufla que essa Hollywood imunda não é lá muito diferente dos submundos nova-iorquinos de seus outros filmes.


o desinformante

Outubro 25, 2009

É uma representação burlesca dessas tramas calcadas no corporativismo e nas denúncias e imbróglios por ele causados. Uma espécie de paródia mesmo. Começa legal, mas a impressão que dá é a de que o próprio Soderbergh não estava muito empolgado com a estória. Ele até inventa uns penduricalhos simpáticos, mas no geral a pipoca parece ter gosto de isopor. Por dentro, é engraçadinho de um jeito bom, quase farsesco. Mas como é filme de uma piada só – Whitacre é um lesado trapalhão! -, não demora muito para incidir numa certa tautologia. O Damon está muito bem, obrigado, mas pra piorar as coisas foi difícil não pensar em Queime depois de ler durante a sessão. E aí, meu amigo…