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Por mais que boa parte da casta cinéfila não concorde que essa nova safra não se constitua dos mais representativos trabalhos da carreira do canadense mais visceral de que se tem notícia, acredito ser inegável o quanto ela evidencia seu grande amadurecimento artístico, já que ficam cada vez mais claros os objetivos e intenções de Cronenberg do ponto de vista de realizador, sempre seguro e confiante em onde espalhar e explorar suas manias e obsessões a cada novo filme.
O senhor do quanto-mais-bizarro-melhor já havia esboçado um pequeno flerte com os filmes de máfia em Marcas da violência, mas nesse Senhores do crime resolveu levar um pouco mais a sério a brincadeira com as peças de gênero e costurou um duro conto policial retratando um tormento na esfera dramatúrgica e psicológica mais mordente que toda a brutalidade física que desfila pelo filme, onde o corpo humano, o objeto cronenberguiano de estudo por excelência, representa a violência, a esperança, o sacrifício e a redenção.
A proficiência com que Cronenberg se utiliza de recursos estilísticos para se aprofundar no material que tem em mãos é admirável: primeiramente conferindo um visual requintado à aterradora Londres dominada pela máfia russa, o diretor termina por se debruçar de maneira especulativa sobre os arquétipos inseridos na trama, desconstruindo de modo quase lacônico a noção de gênero por meio da transgressão que os personagens sofrem, tanto física quanto moralmente.
4 Comentários
Março 27, 2008 às 1:27 pm
Ainda não vi o filme mas… caralho hein Vinny? Tá escrevendo muito! Puta parabéns!
Março 27, 2008 às 3:42 pm
Elogio do melhor em atividade é o que eu chamo de luxo, meus amigos!
Bondade sua, Luigi. Mas valeu mesmo!
Março 30, 2008 às 11:29 pm
Reforço o que o Luís/Forasta disse: tu tá escrevendo muito bem, Vinícius/Carioca/Gago (haja pseudônimos, heheh). Quem dera se eu conseguisse escrever assim no meu blog (se bem que o meu é o único que não é sobre cinema, hahaha).
E o filme é bem isso mesmo: demonstra o amadurecimento latente do Cronemba.
Março 31, 2008 às 2:49 pm
Essa fase madura do Cronenberg é tão boa que fica até difícil decidir qual dos filmes é o melhor. … Ah, vai, Spider é o meu preferido, mas com certeza não foi fácil decidir isso.
Vocês estão superestimando o meu início de carreira! Haha.