olhos de serpente

outubro 30, 2009

Há dois filmes maravilhosos dentro de Olhos de serpente, de Abel Ferrara, e eles não apenas coexistem de maneira harmoniosa como ainda por cima se completam.

O primeiro deles é um visceral metafilme que impressiona também pelo fato de parecer um compêndio das aspirações cinematográficas de seu diretor, especialmente pela íntima e conflituosa relação entre vício e religião.

O segundo, por sua vez, fala sobre até que ponto uma pessoa pode ser consumida, física e mentalmente, pelo processo de criação artístico. (desafio: tente não pensar em Heath Ledger)

O mais perturbador, no entanto, é quando percebemos o elo com a mente do criador — seria Keitel o avatar do próprio Ferrara? Não sei, mas assusta a maneira como ele insufla que essa Hollywood imunda não é lá muito diferente dos submundos nova-iorquinos de seus outros filmes.